Goiás investe R$ 2,2 milhões na agricultura familiar

O Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), já repassou R$ 2,2 milhões a 823 pequenos produtores inscritos no Programa de Aquisição de Alimentos (PAA Estadual). Os beneficiários têm parte de sua produção comprada pelo Estado e distribuída para famílias carentes por meio de 113 instituições cadastradas em 92 municípios. O objetivo é promover acesso à alimentação e incentivar a agricultura familiar.

O programa funciona dentro do Goiás Social, uma ação lançada pelo governador Ronaldo Caiado para o enfrentamento às desproteções sociais dos municípios. A presidente de honra da Organização das Voluntárias de Goiás (OVG) e coordenadora do Gabinete de Políticas Sociais (GPS), primeira-dama Gracinha Caiado, destaca a importância da iniciativa em um momento tão delicado como o da atual pandemia.

“Graças a essa parceria, conseguimos ajudar quem mais necessita no momento em que estas pessoas mais precisam do poder público. O PAA tem um impacto real na vida de goianos em situação de vulnerabilidade social e é a prova viva de que o Agro também é social”, pontua.

De acordo com o secretário de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tiago Mendonça, 100 mil pessoas devem ser beneficiadas até janeiro de 2022 e a previsão é atingir R$ 5,3 milhões em repasses ainda no atual exercício. “O agricultor familiar tem um papel fundamental tanto na área social quanto econômica: ele garante emprego e renda no campo e coloca alimento na cidade, merece uma atenção especial do Estado, assim como as pessoas que estão em situação de vulnerabilidade social”, argumenta. “O programa é muito feliz neste sentido por trabalhar nas duas frentes”.

O PAA Estadual é uma parceria entre o Governo de Goiás e o Governo Federal, com recursos do Ministério da Cidadania. A Seapa atua na operacionalização, em conjunto com a Agência Goiana de Assistência Técnica, Extensão Rural e Pesquisa Agropecuária (Emater). Já o Gabinete de Políticas Sociais (GPS) e a Organização das Voluntárias de Goiás (OVG) são responsáveis pela indicação das famílias em situação de vulnerabilidade a serem contempladas com o benefício. A Secretaria de Estado da Retomada e a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Seds) também são parceiras do programa, que teve seu primeiro edital lançado há aproximadamente um ano, em 14 de setembro de 2020.

Para o presidente da Emater, Pedro Leonardo Rezende, a iniciativa é fundamental para auxiliar os agricultores familiares na etapa de comercialização dos produtos. “A agricultura familiar passou a encontrar uma série de dificuldades para comercializar seus produtos em decorrência da pandemia, então o programa oportuniza a esses produtores a venda direta. Além de apoiar os agricultores, prevê a doação dos itens para entidades filantrópicas. O papel da Emater é dar suporte aos pequenos produtores e às camadas da sociedade em situação de vulnerabilidade”, explica.

“Foi uma salvação para a gente”, diz a agricultora Carmelúcia Tagliari, 49 anos, de Morrinhos. Ela conta que as restrições da pandemia provocaram queda na renda. “O PAA ajudou porque, além de aproveitar o alimento que poderia estragar, trouxe renda”, afirma.

Entre maio e agosto, Carmelúcia forneceu cerca de uma tonelada de repolho e couve para duas instituições de Morrinhos. Uma delas foi o Lar Espírita José Passos. O local abriga 46 idosos e distribui kits de alimentação para mais 35 famílias carentes. “Nosso consumo é alto e o PAA ajuda demais com as doações de alimentos. Os produtos são de primeira qualidade”, elogia a auxiliar administrativa da instituição, Érica Santos Silva.

No capricho
Em Trindade, o agricultor Leonel Adão Oliveira, 55 anos, foi informado sobre o edital do PAA pela equipe da Emater e decidiu se inscrever. Acabou selecionado. Ele já entregou o volume de alface, repolho e couve contratado pelo programa. Segundo Oliveira, a ação ocorreu na hora certa para evitar sobras de produtos e descartes que trariam prejuízos. Agora está na expectativa do lançamento de um segundo edital. Promete caprichar: “Tem gente que pensa que, por ser doação, pode ir de qualquer jeito; eu não, a alface mesmo eu só levo na hora da distribuição para ficar fresquinha”.

De maio a julho, a Associação dos Deficientes Físicos de Trindade (Adefitrin) recebeu alfaces frescas, couve e repolho de Leonel Oliveira. Outros produtores levaram mandioca, mamão, limão, batata-doce, banana-prata, laranja etc. As doações foram distribuídas aos associados. “Fizemos uma lista e as pessoas vieram buscar, de 150 a 200 pessoas toda semana”, relata a presidente da entidade, Regiane da Silva Pereira. O programa segue em andamento, com o produtor ainda entregando hortifruti à Adefitrin. Também há expectativa por novo edital.

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