Fieg promove debate sobre agenda climática e desafios do setor produtivo

Qual o caminho para consolidar a economia de baixo carbono no Brasil? Com as discussões promovidas na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP26), realizada em Glasgow (Escócia), em novembro, o questionamento nunca esteve com tanto destaque, sobretudo para o setor produtivo, impactado diretamente pela agenda global do clima e pelos compromissos assumidos pelo Brasil no evento. Para lançar luz sobre o tema, o Conselho de Meio Ambiente e Sustentabilidade (CMAS) da Fieg, liderado pelo empresário Flávio Rassi, promoveu quinta-feira (09/12) a live Mudanças Climáticas: Os Resultados da COP26, com a coordenadora da Rede Clima da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Juliana Falcão.

De acordo com a especialista, a tendência global para a agenda de mudanças climáticas prevê neutralidade de emissões até 2050, estratégias de transição energética, eletrificação das frotas de veículos, fim dos subsídios a fontes fósseis, precificação do carbono e tributação de carbono nas fronteiras paras produtos exportados. “É uma sinalização política importante que mostra o caminho para onde o mundo deve caminhar. Muito se falou de redução do uso de gases naturais, fim de motores a combustão, que assustam, mas são tendências e precisam estar no radar. Na próxima década, novas tecnologias devem revolucionar e mudar muito do que conhecemos hoje”, explicou Juliana.

O impacto na indústria das mudanças climáticas é sentido, sobretudo, nos altos custos para reparar danos relacionados a eventos climáticos extremos, como escassez hídrica, ondas de frio e calor extremo, grandes incêndios e enchentes. “Isso aumenta a competição por recursos sensíveis ao clima, como água e energia, além de interromper atividades logísticas, como portos, aeroportos, ferrovias e estradas, encarecendo o preço da matéria-prima e escoamento da produção”, sustentou a coordenadora da Rede Clima, ao citar ainda desdobramentos financeiros pela imposição de metas de redução de emissões, precificação do carbono e dificuldade por crédito, dependendo do tipo de negócio.

Considerando os anúncios feitos pelo Brasil em Glasgow pela neutralidade de emissões até 2050, redução de 50% dos gases de efeito estufa até 2030 e de acabar com o desmatamento ilegal até 2028, Juliana Falcão avaliou o plano como ambicioso, principalmente por ainda não terem sido divulgadas as ações que serão empreendidas pelo governo para cumprimento dessas metas.

Para ela, cada vez mais os investimentos serão aportados pelo setor privado, saindo de uma esfera governamental para a sociedade como todo. “A COP26 se diferenciou das edições anteriores pela grande participação do setor privado. A agenda do clima já entrou na esfera econômica e a grande tendência é de aumento do capital privado dedicado a fomentar essa transição para uma economia de baixo carbono, com expectativa de investimentos globais superiores a US$ 100 trilhões”.

No Brasil, a CNI já trabalha, junto às indústrias, iniciativas voltadas ao uso de energias renováveis, eficiência energética, licenciamento ambiental, economia circular, bioeconomia, segurança hídrica, resíduos sólidos e produção florestal sustentável. Entretanto, a consolidação de caminho para economia de baixo carbono exige esforço conjunto, envolvendo governo, setor produtivo e sociedade.

“Defendemos uma estratégia de País ampla e integrada, considerando quatro eixos estratégicos: transição energética, precificação de carbono, economia circular e conservação florestal. Isso envolve governança institucional, coordenação de esforços entre governo e setor produtivo, com foco em plano de descarbonização da economia, investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação e desenvolvimento de infraestrutura urbana”, afirmou a especialista.

“Sem imposição” – Para o presidente do CMAS, Flávio Rassi, que também é vice-presidente da Fieg, é fundamental que o Brasil efetivamente se posicione internacionalmente sobre essas questões. “Não podemos aceitar a imposição de agendas e precisamos também colocar na mesa nosso ponto de vista, como no caso do desmatamento. É preciso deixar claro que a meta é de redução do desmatamento ilegal, porque o desmatamento legal é um direito do país em crescimento. Precisamos defender nosso interesse nacional”, pontuou.

O líder classista apontou ainda a questão financeira para manutenção de áreas preservadas, ponderou que isso implica em custos ao País e defendeu a remuneração dos proprietários dessas terras. “Precisamos trabalhar estratégias inteligentes para isso”.

Sobre a legislação ambiental, Flávio Rassi ressaltou que as leis são boas, mas o espaço discricionário é muito grande. “Não importa a regra do jogo, mas precisamos de regras claras, não discricionárias. O empresário brasileiro é inteligente e competente e vai se adequar. Mas o jogo precisa estar claro, com segurança jurídica”, afirmou, reiterando que é preciso pensar no todo, pois os custos não são pagos pelo agronegócio ou a indústria, mas por toda a sociedade.

A live do CMAS foi acompanhada por empresários e profissionais que atuam no setor industrial e ambiental. O presidente do Sindicato da Indústria de Gesso, Decorações, Estuques e Ornatos do Estado de Goiás (Sindigesso), José Luís Abuli; o executivo do Sindicato das Indústrias Farmacêuticas no Estado de Goiás (Sindifargo), Marçal Soares; e o superintendente da Fieg, Igor Montenegro, acompanharam o webinar.

Previous Article
Next Article

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.