Fieg debate potencial goiano para produção de hidrogênio verde

Investimentos de mais de US$ 500 bilhões até 2030. Essa é soma das aplicações mundiais projetadas para produção de hidrogênio verde nos próximos anos. De olho nessa enorme oportunidade, o Conselho Temático de Infraestrutura (Coinfra) da Fieg promoveu quarta-feira (27/10), em ambiente on-line, a live Hidrogênio Verde e sua Aplicação na Indústria, com a especialista Monica Saraiva Panik, diretora da Associação Brasileira de Hidrogênio (ABH2).

No webinar, acompanhado por empresários e profissionais do setor, foi apresentado panorama mundial da nova tecnologia e o potencial do Brasil para se tornar líder na geração de H2 Verde até 2050.

“Percebemos que o avanço dessa matriz energética é um caminho sem volta e, em Goiás, temos uma grande vocação para a produção de energia limpa. O movimento é pela descarbonização da produção industrial e a Fieg está engajada nesse debate”, afirmou o presidente do Coinfra, Célio Eustáquio de Moura, na abertura do evento.

Dados apresentados mostram que, para o mundo atingir o objetivo do Acordo de Paris de reduzir as emissões de gases de efeito estufa, limitando o aumento médio da temperatura global a 2ºC, será necessário descarbonizar grande parte do sistema energético mundial. Para tanto, uma quantidade significativa de fontes de energia renovável precisa ser instalada e integrada e setores que demandam energia, como o transporte e a indústria, que precisam ser descarbonizados em grande escala.

De acordo com a especialista Monica Panik, é nesse cenário que o hidrogênio deixou de ser visto como combustível, passando à condição de vetor energético e pilar da descarbonização da economia mundial. Considerado o combustível do futuro, o hidrogênio verde é derivado de fontes renováveis, como a água, e pode ser usado para fornecer energia à indústria pesada e abastecer veículos de grande porte, como aviões e navios. Com mercado global crescente, estimativas do Goldman Sachs avaliam que o hidrogênio verde deve valer US$ 11 trilhões até 2050.

“A descarbonização da economia mundial abriu um leque de oportunidades para o hidrogênio, sobretudo nos setores industrial, de transporte, de produção de energia e produção de matéria-prima, como a amônia verde, que pode ser usada na produção de fertilizantes”, avaliou Panik. Segundo a especialista, a partir de 2017 iniciou-se um movimento global do hidrogênio como vetor para descarbonização do planeta, com investimentos expressivos de países da União Europeia, além de Estados Unidos, Japão, Coreia do Sul, China, Austrália e Canadá.

Atualmente, existem HUBs de produção de hidrogênio verde instalados no Japão, Países Baixos e no Porto de Sines, em Portugal, além de iniciativas como rota de importação e exportação de H2 verde – entre Japão e Austrália –, geradores estacionários e produção de veículos preparados para abastecer com a nova tecnologia. No Brasil, projeto-piloto implantado no Porto de Pecém, no Ceará, destacou-se pelos investimentos mobilizados em curto espaço de operação, incentivando iniciativas similares no Porto de Açu (Rio de Janeiro) e Porto de Suape (Pernambuco), além de estudos em andamento no Rio Grande do Norte e em Minas Gerais.

“Até o ano passado, o Brasil não aparecia no mapa global do setor de hidrogênio. Em apenas um ano, o crescimento foi tão expressivo que hoje já desponta como o País que pode gerar o hidrogênio verde mais competitivo do mundo até 2050”, afirmou Panik, ao elencar as vantagens competitivas do Brasil, como as inúmeras fontes renováveis de produção de energia, a abundância de recursos que superam a demanda, a irradiação solar e o consistente parque industrial, com participação de dezenas de multinacionais que já investem na tecnologia.

POTENCIAL GOIANO

Localizado no Cinturão do Sol, Goiás recebe radiação solar média de 5.7kWh/m², acima da média nacional. O potencial de energia solar em Goiás corresponde a um dos mais favoráveis do Brasil, sobretudo no Nordeste goiano. “Estar situado em uma das regiões mais privilegiadas do País significa um melhor aproveitamento da geração de energia limpa e renovável. Entretanto, essa matriz energética corresponde, ainda, a apenas a 0,3%”, analisou Monica Panik, diretora da ABH2.

A especialista apontou o potencial de capacidade instalada em Goiás para produção de biogás e biomassa, processos que também podem derivar hidrogênio verde, além de oportunidade na produção de amônia verde, insumo que pode substituir o tradicional usado pela indústria de fertilizantes, de olho na forte vocação goiana para o agronegócio.

“Goiás está entre os quatro maiores produtores de biomassa no Brasil e possui grande potencial para gerar energia elétrica a partir de fontes limpas e renováveis, considerando-se especialmente o grande volume de resíduos do agronegócio como insumo”, afirmou Panik, ao citar biogás e biocombustíveis também como exemplos.

A diretora da ABH2 ressaltou ainda a capacidade que o setor possui para movimentar a economia, por meio da extensa cadeia produtiva, sobretudo gerando empregos, incentivando a capacitação e promovendo o desenvolvimento tecnológico no Estado.

A live do Coinfra foi acompanhada pelos presidentes Anastácios Dágios (Seconci-Anápolis), Jaime Canedo (Compem-Fieg), Marcos André (Sindipão) e Marduk Duarte (CTA), além do executivo da Adial Goiás, Edwal Portilho. A próxima reunião do Coinfra está agendada para 4 de novembro e vai discutir o tema Obras e Investimentos de Infraestrutura em Goiânia, com o secretário municipal de Infraestrutura Urbana, Fausto Nieri Moraes Sarmento.

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