Ex-assessor anuncia processo trabalhista contra senador Jorge Kajuru

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Contratado para assessorar o, na época, vereador Jorge Kajuru (com saída do PSB ainda não formalizada), Alexandre Machado de Souza, o Xande, diz não ter raiva de Kajuru, mas sim mágoa. Em entrevista exclusiva ao Dia Online, Xande contou como foi, conforme suas palavras, “jogado na sarjeta” pelo atual senador da República. Prestes a ingressar com uma ação na Justiça contra Kajuru, Xande deu detalhes de uma rotina com o parlamentar que ele considera “humilhante”. Descrito pelo ex-assessor como uma pessoa que “passava álcool no corpo” após cumprimentar seu eleitorado e o fazia sair na madrugada para comprar charutos, Xande diz que quer “mostrar ao mundo a outra face de Kajuru”.

Contratado há dois anos por Jorge Kajuru para assessorá-lo na Câmara Municipal de Goiânia, Xande disse que sempre teve grande apreço pelo atual senador. Entretanto, o que era para ser uma assessoria formal, com horário fixo de 7h às 13h de segunda a sexta-feira, acabou se transformando numa rotina degradante, segundo Xande.

O ex-assessor conta que fazia absolutamente tudo para Jorge Kajuru: de preparar sua comida, até dar faxina em sua casa e passar suas camisas. “Eu fazia de tudo, tudo mesmo. A casa dele eu deixava brilhando, as roupas dele eu lavava e passava. Ele já me fez sair às 2h da madrugada para comprar vinho, charuto para ele. Eu cuidava 100% dele”, revela Xande.

Os horários de trabalho, segundo Xande, só eram especificados na teoria. Uma vez que o ex-assessor tinha de estar de pé diariamente às 4h, para que o então vereador Kajuru não perdesse seus compromissos. E esse foi um dos motivos que o levaram a procurar na Justiça.

semana, entrará com uma ação trabalhista contra Kajuru. De acordo com ele, as horas extras, feriados e fins de semana jamais foram pagos, e em dois anos de trabalho, mesmo recebendo da Câmara, ele jamais pôde gozar do período de férias. Xande disse que quando cobrou os direitos trabalhistas não pagos, recebeu sarcasmo como resposta. “Já procurei o advogado e nesse semana já vou entrar com uma ação. Eu procurei ele, tentei conversar. Tenho todos os áudios. Eu contei que estava passando necessidade, que estava faltando comida em casa. Ele riu na minha cara”, conta.

“Eu era contratado na Câmara para trabalhar das 7 da manhã às 1 da tarde, seis horas por dia. E o vereador me usava para trabalhar 24 horas por dia, para suas coisas pessoais. Saía no meu carro, à noite eu tinha que sair pra comprar vinho, cerveja, comida. Eu cuidava da vida dele”, revela.

Carro pessoal era usado por Kajuru, sem contribuição para manutenção, conta ex-assessor

Xande conta que um dos maiores prejuízos sofridos com o então vereador Jorge Kajuru foi quanto ao seu carro. Conforme o ex-assessor, seu veículo pessoal ficava sempre com o parlamentar, que o usou por todo o período em que Xande trabalhou para ele, dois anos.

O ex-assessor conta que devido ao uso excessivo pelo parlamentar, os pneus de seu veículo ficaram gastos e carecas, mas Kajuru se recusou a, conforme Xande, ao menos contribuir para a compra dos novos. O imposto do carro, cujo pagamento havia sido prometido por Kajuru, também nunca veio. “Ele não quis ajudar em nada, nada. Os pneus novos foi o vereador Milton Mercês que me deu. Meu carro foi apreendido uma vez por falta de pagamento do IPVA, que ele [Jorge Kajuru] prometeu que ajudaria a pagar com pelo menos a metade. Mas nunca ajudou”, desabafa.

Atualmente, o ex-assessor utiliza o carro para trabalhar como motorista de App. Xande diz que “não acusa o senador de nenhum ato de corrupção”, pois, conforme ele, “sua índole não seria disso”, mas o que ele chama de “hipocrisia”. “Ele me deixou na sarjeta. Disse, com outras palavras, que não me levaria com ele para o Senado pois eu não estaria a altura disso”.

Xande conta que, durante a campanha eleitoral de Kajuru para o Senado, o parlamentar não gostava do contato físico com seu eleitorado, e costumava “se desinfetar” após o corpo a corpo. “Ele abraçava todo mundo e quando entrava no carro, arrancava a camisa e passava álcool no corpo. Ele virava e falava ‘Que povo fedido!’, depois de abraçar e pegar na mão do povo”, revela.

 

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