Alta dos combustíveis gera efeito dominó em toda cadeia de produção, diz Fieg

A Federação das Indústrias do Estado de Goiás divulgou, nesta terça-feira (26/10), nota técnica em que avalia com preocupação os sucessivos aumentos no preço dos combustíveis, insumo essencial para funcionamento de toda a cadeia logística do setor produtivo. O reajuste anunciado ontem (segunda-feira, 25/10) pela Petrobras é o 11º neste ano, que já acumula alta de 73% no preço da gasolina e 65,3% no valor do diesel.

Para a Fieg, o encarecimento do produto traz impactos não só na vida do consumidor, mas é um claro desestímulo à produção. Em 2021, a gasolina já acumula elevação de 39,6% no Índice de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA) e, como reflexo, tem-se queda na demanda.

“A atividade industrial, ainda abalada pelas paralisações impostas pela pandemia da Covid-19, sofre por duas frentes o aumento no preço dos combustíveis. Por um lado, esse aumento traz queda no poder aquisitivo da população e, por outro, o custo da produção fica mais alto, com o encarecimento do frete, impactando toda a cadeia produtiva”, argumenta o presidente da Fieg, Sandro Mabel.

A nota técnica ressalta que, em Goiás, a indústria de transformação amarga queda de 4,7% no acumulado do ano e um aumento nos custos agora tende a impactar ainda mais esse resultado. “O custo do transporte pode chegar a 25% do custo do produto final e o efeito vem em cascata, desde o acesso às matérias-primas, até o escoamento da produção”, destaca o presidente da Fieg.

De acordo com a assessora econômica da Fieg, Januária Guedes, como a industrialização goiana está bastante ligada ao agronegócio, o aumento dos combustíveis vai se sobrepondo, desde o campo até a etapa final da produção, gerando efeito dominó. “Um dos reflexos imediatos é o aumento dos custos de produção, ameaçando novas quedas no emprego industrial, numa tentativa de conter o aumento dos custos e a queda dos lucros”, alerta a economista.

Atualmente, mais de 90% das indústrias goianas são de pequeno porte e não possuem margem para assimilar esse aumento. Para algumas dessas empresas, o aumento acumulado no custo de transporte pode impactar em até 40% o custo do produto. “Na atual conjuntura econômica, o mercado consumidor também não consegue assumir esse custo”, analisa Januária.

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